ABJD: memória, organização e democracia

16/01/2026

ABJD: memória, organização e democracia


O ano de 2026 se inicia e, como acontece em praticamente todo começo de ciclo, traz consigo o desejo por mudanças, novas metas e planejamento. Mas este também é um momento oportuno para refletirmos e revisitarmos nossos espaços de luta e as histórias que eles carregam. 

Diante disso, trago o resgate de uma importante ferramenta coletiva: a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). O objetivo é apresentar a entidade para aqueles que ainda não conhecem seu trabalho e, ao mesmo tempo, realizar um chamamento aos filiados para que revisitem seus compromissos com a Associação. 

Neste início de ano, também vivenciamos, no mundo, um contexto marcado por retiradas de direitos, pactos sendo quebrados e ataques sistemáticos às bases democráticas. Para o Brasil, 2026 se apresenta como um ano decisivo para reafirmarmos parcerias e seguirmos na caminhada coletiva ao lado de quem luta pela defesa da democracia. 


O início dessa história 

Há oito anos nascia a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD). E ela não surge por acaso. A ABJD é fruto direto da luta engajada em defesa da democracia, em um dos períodos mais sombrios da história recente do país, marcado por sucessivos golpes institucionais e pelo processo de impeachment da primeira presidenta eleita do Brasil, Dilma Rousseff. 

O impeachment da presidenta Dilma durou aproximadamente nove meses. Teve início formal em 2 de dezembro de 2015, quando a Câmara dos Deputados aceitou a denúncia por crime de responsabilidade, e se encerrou em 31 de agosto de 2016, quando o Senado Federal, em um de seus momentos mais trágicos, votou pela cassação de seu mandato. A justiça venceu! E a história, com o passar do tempo, revelou a grandeza dessa mulher e a violência política cometida contra ela. 

É a partir dessa conjuntura específica, e nos dois anos que se seguiram, que a ABJD foi sendo gestada. Sua organização é composta por juristas, advogados, professores e militantes que, desde sua origem, se posiciona de forma crítica diante dos processos políticos e jurídicos no Brasil. A ABJD defendeu, desde o início, que o impeachment de Dilma Rousseff fez parte de um processo político mais amplo de lawfare e de ataque sistemático às instituições democráticas, ampliando o olhar crítico sobre o papel do Judiciário, da mídia e das elites políticas no país. 

Além da defesa irrestrita da democracia e do Estado de Direito, fazem parte das lutas da ABJD a democratização do Sistema de Justiça, as campanhas contra anistias a golpistas, bem como a proteção de direitos, com destaque para a defesa das crianças e dos adolescentes. São pautas que reafirmam o compromisso da entidade com a Constituição de 1988 e com a justiça social. 

E mais, compreende a comunicação como ferramenta de disputa democrática, pois em tempos de desinformação, ataques coordenados e manipulação do discurso jurídico, a comunicação se torna também um campo estratégico de disputa democrática. A ABJD compreende que não basta produzir análises e notas técnicas: é preciso dialogar com a sociedade, disputar narrativas e tornar o direito compreensível e acessível ao povo. 


Campanha de incentivo à filiação  

Para quem deseja saber mais sobre a ABJD, basta acessar o site (neste link). Também é possível dialogar com representantes da entidade, presentes nos diversos núcleos estaduais, e passar a fazer parte de um coletivo que está sempre em campo. Afinal, quando o jogo é a defesa da democracia e dos direitos, não há espaço para neutralidade. 

No site, também é possível obter mais informações sobre a campanha de regularização de associados e de entrada de novos membros, que neste ano vem acompanhada do Planner 2026. 

Com o tema “Café e Democracia”, a proposta do Planner vai além de um material de organização cotidiana. O planner apresenta a trajetória da entidade, resgata memórias fundamentais da resistência democrática e, sobretudo, evidencia o diálogo da ABJD com diversas instituições e parceiros que compartilham o compromisso com a defesa dos direitos e do Estado Democrático de Direito. 

*Artigo originalmente publicado no Brasil de Fato

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