Com dados da CPI da Covid, ABJD faz nova denúncia contra Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional

Foto: Marcos Corrêa-PR Acesse o documento em português e inglês Com base em fatos novos levantados pela CPI da Covid, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou nesta terça-feira, 09, no Tribunal Penal Internacional (TPI), um adendo onde pede que a Corte dê seguimento à representação realizada em abril de 2020. A intenção é que seja investigada a denúncia feita pela entidade contra Jair Bolsonaro por cometimento de crimes humanitários contra a população brasileira ao assumir a opção de imunidade de rebanho, com boicote ao programa de vacinação e negação das políticas de cuidados sanitários .  De acordo com os juristas, a sistematização de dados produzidos pela CPI da Covid e por vários pesquisadores revelam o empenho e a eficiência da atuação do presidente e da União em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional. “As normas produzidas, decretos e vetos a leis votadas no Congresso, os discursos e atos de Bolsonaro foram determinantes para

Nota | Não aceitamos a violência política contra mulheres!


Manuela d’Ávila. Foto: Reprodução


Por Coletivo de Mulheres da Afipea – Associação de Funcionários do Ipea


Não, esta não é mais uma nota de repúdio. Repúdio já não cabe mais. Essa é uma manifestação de ira. De uma ira muito particular à qual subscrevemos, uma ira feminista! Uma ira que anseia por justiça e igualdade! Uma ira que nos faz lutar contra a violência política.

Manuela D’Avila (PCdoB) tornou pública as ameaças que ela e sua filha de 5 anos vêm sofrendo, intensificadas no último mês pela iniciativa de um pai da escola de sua filha. Após tirar uma foto da filha de Manuela, divulgou nos grupos que disseminam ódio nas redes para ameaçá-las, mãe e filha, de estupro e morte. 

Manuela não foi apenas criticada por sua posição política de esquerda, como é natural numa democracia e na esfera pública. Manuela e seus familiares vem sendo alvo sistemático de violência política. Como no caso do assassinato da vereadora Marielle Franco, bem como de ataques recentes a mulheres que participam da vida pública brasileira, a violência política é de um tipo muito particular que intenta calar, dominar e apagar posições políticas divergentes, fazendo triunfar a política do agressor. Esta violência quer eliminar a pluralidade de ideias e anular a diversidade que constrói a democracia, expressa na diversidade de corpos que ocupa a esfera pública. 

No caso de Marielle, a violência política quis extinguir a perspectiva, a luta, a política feminista-negra-lésbica-periférica-de-esquerda. Matou o corpo, mas não conseguiu calar sua posição política. Ao contrário, para o desgosto de seus agressores, ascendeu a ira que incendeia a política feminista. No caso de Manuela, a violência também ambiciona silenciar a política feminista. Não por acaso, a violência sofrida por ela e por sua filha é justamente misógina, sexista e patriarcal. 

Os agressores em tela querem lembrar às Manuelas e suas filhas que lugar de mulher é supostamente dentro de casa com um patriarca na porta, de arma na mão. Que mulheres não devem ousar ocupar espaço na esfera pública, muito menos na grande política. Que seu sexo, domesticado, produzido como frágil pela violência sexista dentro e fora da casa, só serve para atividades sem conflito, de doação, de amor. Esta violência quer apagar a participação feminina na política. 

Somos muitas e exigimos a atuação célere da polícia para apurar as ameaças sofridas por Manuela D’Avila, bem como a punição condizente dos agressores. Nos queremos vivas! 

Defender a presença das diversas mulheres na política é defender a democracia. Por isso conclamamos os expoentes de todo o espectro político, mulheres e homens de esquerda, de direita e de centro. Todos que acreditam no amplo e cordial debate de ideias e defesa de interesses, para que expressem seu apoio à Manuela e reivindiquem a apuração dos fatos. 

Caminhamos com Medusa, a expressão mítica da ira feminina. A sacerdotisa foi banida para o fim do mundo e transformada em monstro com cabelos de serpente por ter sido violada pelo deus Poseidon. Como expressão de sua ira por tamanha injustiça, petrificava seus agressores, aprisionando-os na escuridão. De seu corpo decepado surgiram novas vidas: Pégasus, o cavalo alado, e tantas outras, monstruosas e belas. Como com Medusa, as feridas do machismo e do patriarcado não morrem, elas deixam marcas e transformam o mundo. A morte de Marielle transformou nosso mundo. Nossa ira “petrifica” novos assassinos, mas também dá vida a cavalos alados.

Assinam a nota:

Associação dos Funcionários do IPEA (Afipea)
Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD)
Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Planejamento e Orçamento (Assecor)
Carreiras Públicas pelo Desenvolvimento Sustentável (ARCA)
Associação Brasileira de Economistas pela Democracia (ABED)
Associação Advogadas e Advogados Públicos para a Democracia (APD)
Associação Brasileira de Médicas e Médicos pela Democracia (ABMMD)