ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

Artigo | Bolsonaro e a certeza da impunidade


Publicado no Brasil 247

Giselle Mathias*

Nos últimos dias, tomou-se conhecimento de um fato gravíssimo sobre o assassinato de Marielle e de Anderson, o possível envolvimento do atual Presidente da República com os suspeitos do duplo homicídio.

Conforme informado pela imprensa corporativa o Presidente da República, na ocasião Deputado Federal, teria autorizado a entrada de um deles no condomínio em que mora e é vizinho de outro dos suspeitos, horas antes da dupla executar o crime encomendado.

Ressalte-se que após inúmeras controvérsias sobre se seria possível o atual Presidente da República ter autorizado ou não a entrada, pois se encontrava em Brasília no horário em que o suspeito foi autorizado a entrar, o jornalista Luís Nassif informou, após ter apurado a questão, que a autorização para a entrada no referido condomínio é feita por meio de aparelho celular, o que possibilitaria a autorização ter sido concedida a partir de qualquer lugar, pois não se trata do uso de interfone.

Após a balbúrdia criada, Bolsonaro informou que pegou as gravações da secretária eletrônica do condomínio para, segundo ele, garantir que não fossem adulteradas. Seria cômico se não fosse trágico, como diz o ditado.

Espanta o cinismo deste senhor que, devido a uma ação direta e consciente do sistema judicial brasileiro, “ganhou” as eleições presidenciais em 2018, e hoje atua na Presidência da República para garantir interesses próprios e de seu grupo, pois é evidente que o país não está sendo governado.

Mas a análise proposta é sobre a demonstração cínica e debochada de Bolsonaro de que nada irá acontecer a ele e a seus filhos, não porque hoje é o ocupante da Presidência da República, mas por saber como funciona o sistema judicial brasileiro e a quem ele serve.


Sim, existem exceções neste sistema criado para encarcerar os indesejados e beneficiar a oligarquia dominante no país, mas, infelizmente, as exceções não têm tido forças para alterar a cultura corrupta, racista e de privilégios deste sistema.

As atitudes do clã Bolsonaro, mais especificamente do patriarca, em relação ao assassinato de Marielle e de Anderson, demonstram com toda a certeza o quão corrompida tem sido a investigação e a condução do caso por algumas das autoridades responsáveis, as quais agem para confundir e atrapalhar aqueles que agem com os espírito público e cidadão, e em busca de Justiça.

A parcialidade e a intenção de que o caso não seja elucidado ficou evidente na fala da promotora pública - diga-se, bolsonarista - que declarou publicamente em nome do órgão e usando do cargo público, que o porteiro havia mentido em seu depoimento sobre a autorização de Jair Bolsonaro, então Deputado Federal, para permitir a entrada, no condomínio onde mora, de um dos suspeitos do assassinato, para se encontrar com o comparsa do crime encomendado.


O afastamento da promotora do caso e uma perícia que teria sido feita em pouco mais de duas horas, atestando que não seria a voz de Jair Bolsonaro na gravação – perícia contestada por peritos especialistas na área - não eliminam a suspeita de que as investigações estão sendo conduzidas para que os envolvidos permaneçam impunes, principalmente, os mandantes.

Infelizmente, o sistema judicial brasileiro, em sua maioria, opera na lógica de manipular o direito para atender interesses e beneficiar poucos, ao mesmo tempo em que encarcera e pune os considerados indesejáveis pela casta oligárquica do país. O que se tem no Brasil são punições, excessivamente severas ou inventadas para os que “atrapalham” a boa vida dos “cidadãos de bem” e a impunidade para os crimes da oligarquia, que parece ter, inclusive, a permissão para matar.

Enquanto o Brasil seguir aceitando esse sistema judicial distorcido, o qual foi desnudado nesse período de golpe, a esperança por um país melhor sempre escorrerá por entre os dedos.

*Advogada em Brasília, integra a ABJD/DF e a RENAP – Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares e #partidA/DF