Com dados da CPI da Covid, ABJD faz nova denúncia contra Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional

Foto: Marcos Corrêa-PR Acesse o documento em português e inglês Com base em fatos novos levantados pela CPI da Covid, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou nesta terça-feira, 09, no Tribunal Penal Internacional (TPI), um adendo onde pede que a Corte dê seguimento à representação realizada em abril de 2020. A intenção é que seja investigada a denúncia feita pela entidade contra Jair Bolsonaro por cometimento de crimes humanitários contra a população brasileira ao assumir a opção de imunidade de rebanho, com boicote ao programa de vacinação e negação das políticas de cuidados sanitários .  De acordo com os juristas, a sistematização de dados produzidos pela CPI da Covid e por vários pesquisadores revelam o empenho e a eficiência da atuação do presidente e da União em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional. “As normas produzidas, decretos e vetos a leis votadas no Congresso, os discursos e atos de Bolsonaro foram determinantes para

Bolsonaro tem medo de Cristina Kirchner



Publicado no GGN

Quando as pesquisas começaram a apontar para o favoritismo da dupla Alberto Fernandez/Cristina Kirchner nas eleições presidenciais argentinas, Jair Bolsonaro partiu para o ataque: se utilizando dos mesmos expedientes da campanha eleitoral brasileira do ano passado, invocou a possibilidade da “Argentina virar uma Venezuela”. Como se não bastasse, chamou os candidatos de “bandidos de esquerda”. Pelo visto, as agressões não surtiram efeito, e só serviram para fortalecer a chapa peronista.

Dizem que o medo e o ódio tem a mesma origem. No caso em análise, não é preciso ser psicanalista para perceber algo tão claro. Cristina reúne todos os atributos que Bolsonaro mais teme.

Em primeiro lugar, ela é mulher, e o capitão já deu mostras de possuir um pânico que beira o irracional em relação ao sexo feminino. Seus objetos de admiração e amor são homens, geralmente autoritários e armados. Ele apenas aceita (suporta) a mulher em uma condição de submissão. Seus embates na vida política com Maria do Rosário e Dilma Rousseff demonstram claramente o nível da fobia, chegando ao limite de exaltar a figura de um torturador como o Coronel Ustra, que não hesitava em agredir mulheres sem a menor possibilidade de defesa.

Cristina Kirchner, a primeira mulher eleita presidente pelo voto direto na Argentina, não se colocava em uma posição de subalternidade em relação ao marido Nestor. Os dois se conheceram durante a graduação na faculdade de Direito, e construíram a vida profissional e política em parceria. Em 1985 foi eleita deputada estadual; de 1995 a 2001 foi reeleita deputada federal e senadora. Estamos falando de uma advogada e política com luz e caraterísticas próprias.

Mas não é só isso. Para “piorar” a situação, Cristina é peronista! Sim, ela faz parte de um movimento político, que apesar de suas contradições internas, tem uma tradição histórica, retomada com Nestor a partir de 2003, de lutar pela soberania nacional e melhora das condições de vida dos trabalhadores. Ao contrário do entreguismo bolsonarista, o kirchnerismo/peronismo não teve medo de enfrentar os interesses estadunidenses ao se posicionar contra a ALCA. Também promoveu um resgate da memória argentina sobre os crimes praticados durante a ditadura naquele país (1976-1983). Quem não se lembra de Nestor ordenando “bajar los cuadros” dos ditadores Rafael Videla e Reynaldo Bignone, na escola militar?

Para completar esse cenário “tenebroso” para a extrema direita brasileira, Cristina promulgou a lei de democratização dos meios, enfrentando o monopólio do Clarín (a Globo argentina), e no seu mandato foi aprovada a lei do matrimônio igualitário. Também se posicionou pela descriminalização do aborto.

Não custa lembrar que estamos falando da candidata à vice-presidência; mesmo assim Bolsonaro não consegue disfarçar sua paúra.

Mas eu entendo o capitão. Não deve ser fácil engolir uma mulher independente, articulada e popular colocando toda a sua energia no combate a um neoliberalismo tardio que devastou a economia do nosso vizinho e era visto pelos formadores de opinião da grande mídia como um modelo a ser seguido no Brasil.

É para ter medo mesmo, já que temos milhares de “Cristinas”, construindo a resistência a um sistema econômico autoritário e ultrapassado, que assim como na Argentina, já está caindo de podre.

Rafael Molina Vita
Formado em Direito, membro do coletivo estadual de Direitos Humanos do PT/SP e da ABJD.