Com dados da CPI da Covid, ABJD faz nova denúncia contra Bolsonaro no Tribunal Penal Internacional

Foto: Marcos Corrêa-PR Acesse o documento em português e inglês Com base em fatos novos levantados pela CPI da Covid, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) protocolou nesta terça-feira, 09, no Tribunal Penal Internacional (TPI), um adendo onde pede que a Corte dê seguimento à representação realizada em abril de 2020. A intenção é que seja investigada a denúncia feita pela entidade contra Jair Bolsonaro por cometimento de crimes humanitários contra a população brasileira ao assumir a opção de imunidade de rebanho, com boicote ao programa de vacinação e negação das políticas de cuidados sanitários .  De acordo com os juristas, a sistematização de dados produzidos pela CPI da Covid e por vários pesquisadores revelam o empenho e a eficiência da atuação do presidente e da União em prol da ampla disseminação do vírus no território nacional. “As normas produzidas, decretos e vetos a leis votadas no Congresso, os discursos e atos de Bolsonaro foram determinantes para

Artigo | Dupla ressaca de réveillon

O presidente Jair Bolsonaro almoça com deputados da bancada do PP. Da esquerda para direita: Evair Vieira de Melo, o líder do governo na Câmara, Ricardo Barros, o líder do PP na Câmara, Arthur Lira, Bolsonaro, o senador e presidente do PP, Ciro Nogueira, e Laércio Oliveira - Reprodução/Twitter



*Por Carol Proner
Publicado no Brasil 247

Passada a euforia do ano novo, especialmente comemorado por aqueles que vislumbram a derrota do fascismo em 2022, iniciamos a semana com o duplo efeito réveillon: por um lado, a ressaca do aumento de contaminações por Covid e, por outro, a percepção de que serão 10 longos meses até a chegada da primavera e o início da reversão do quadro político.


A passagem do ano celebrou a esperança. Longe do frenesi das pautas parlamentares e da agenda política, trouxe a falsa sensação de trégua, de que o pior já passou, mas a impunidade garantida ao genocida custará mais um ano de mortes e de destruição ao país.

O aumento exponencial da contaminação por Covid e as ameaças da variante ômicron auguram contenções e renúncias, ameaçando os planos de um novo normal na vida cotidiana. E tudo isso agravado pelo comportamento negacionista de um governo preservado pelo pacto jurídico-político do “deixa-disso”, ajustado na crise do último 7 de setembro.

Não se quer, com essas memórias, estimular o pessimismo ou o desânimo. Ao contrário. Em um país tão golpeado como o nosso, o sentimento de esperança celebrado no Ano Novo precisa vir acompanhado de uma estratégia e de um plano de ação.

Não nos é permitido o direito à distração, menos ainda à ingenuidade. É preciso observar, com realismo e cuidado, que as forças políticas neoliberais, aliadas à grande mídia, escolhem apoiar qualquer governo que garanta seus interesses imediatos e não há pudor nessa escolha.

Para o mercado financeiro e a mídia hegemônica associada ao capital internacional, as mortes por Covid e a destruição das condições de desenvolvimento de um país são efeitos colaterais de uma guerra contra a perdulária democracia. Lula e um projeto de Brasil-Nação são alvos nessa guerra e as eleições de 2022 são apenas a batalha final.

Portanto, neste momento em que as estatísticas de contaminação voltam a ser alarmantes e que estamos tão distantes da retomada democrática, é preciso pensar e planejar. Ajustes políticos arrematados nas casas de veraneio por todo o país têm como premissa, entre outras estratégias, o esquecimento dos sucessivos golpes e traições sofridos desde 2013, passando por impeachment farsesco, lawfare e lavajatismo aliado ao fascismo no poder.

O “deixa-disso” tem exigido, em nome de aliança para garantir governabilidade, o esquecimento como ponto de partida. No país dos pactos de silêncio, nada mais significativo.

Carol Proner é integrante da Executiva Nacional da ABJD