Retrospectiva 2020 | "São histórias que a história qualquer dia contará"

2020 chega ao fim nos deixando uma grande lição sobre a necessidade urgente de justiça, de solidariedade, de saúde, de garantia de direitos e respeito à democracia.  A ABJD agradece a todas e todos associadas (os), companheiras (as) e entidades parceiras que estiveram juntos nas trincheiras da resistência e da sobrevivência, se solidariza profundamente com as vítimas da pandemia e familiares, e deseja que em 2021 tenhamos ainda mais força e coragem para seguirmos nas importantes batalhas por um mundo mais justo. Vamos à luta! Feliz Ano Novo!

Artigo | Boa-fé não, impeachment!

Scarlett Rocha/Esquerda Online




Por Marcelo Uchôa

Passado o 7 de setembro e o fracasso retumbante das manifestações golpistas convocadas pelo presidente da República, a tônica no Brasil parece ser, aos poucos, virar a página da gravidade dos fatos, como se episódios irrelevantes ou mesmo quase nada tivesse acontecido. Tirando o discurso forte do presidente do STF e a chamada, de certa forma, prudente do presidente do Senado, o PGR apenas se ateve a defender, em tese, a democracia e as manifestações cívicas, enquanto o líder da Câmara teve a ousadia de comentar que ninguém é obrigado a cumprir decisões contra a constituição, insinuando um suposto direito do presidente da República de descumprir as decisões judiciais de Alexandre de Moraes.

De lá para cá, o tom baixou. Alegando haver vociferado impropérios sob o calor do momento, conta-se que Bolsonaro já procurou diálogo com Alexandre de Moraes. Já a mídia informa que Gilmar Mendes comentou que há que se acreditar na boa-fé do chefe do Planalto. Lógico que não. Moraes e Mendes possuem suas responsabilidades institucionais e é compreensível que busquem arrefecer a crise entre os Poderes. Mas acreditar na boa-fé de Jair Bolsonaro não é uma questão de generosidade ou de prova de comportamento elevado. Bolsonaro é um Canalha com C maiúsculo e é assim que precisa ser tratado. Um presidente que não bastasse a incompetência para governar vive de tentar enganar a consciência coletiva. Faz da lei uma piada, da Constituição um folhetim sem qualquer valor jurídico.

Não há como crer na boa-fé de quem já demonstrou que não tem fé no amor, na ciência e nas pessoas. Quem não tem empatia sequer diante de uma calamidade que mata às centenas, até pouco tempo, aos milhares, todos os dias. Bolsonaro é puro ódio. É violência em forma de pessoa. É o ser humano menos ser humano que existe. É vil, desprezível. Brasileiras e brasileiros não podem perder mais tempo. É hora de extirpar esse mal definitivamente da política nacional. Boa-fé coisa nenhuma, impeachment.




*Marcelo Uchôa

Advogado em Fortaleza – CE. Membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – Núcleo Ceará. Grupo Prerrogativas. Twitter: @MarceloUchoa_