Retrospectiva 2020 | "São histórias que a história qualquer dia contará"

2020 chega ao fim nos deixando uma grande lição sobre a necessidade urgente de justiça, de solidariedade, de saúde, de garantia de direitos e respeito à democracia.  A ABJD agradece a todas e todos associadas (os), companheiras (as) e entidades parceiras que estiveram juntos nas trincheiras da resistência e da sobrevivência, se solidariza profundamente com as vítimas da pandemia e familiares, e deseja que em 2021 tenhamos ainda mais força e coragem para seguirmos nas importantes batalhas por um mundo mais justo. Vamos à luta! Feliz Ano Novo!

ABJD prestigia posse da primeira mulher negra a presidir o XI de Agosto na USP




A estudante Letícia Chagas tomou posse como primeira presidente negra do Centro Acadêmico XI de Agosto da Faculdade de Direito da USP, que é o mais antigo do Brasil. A presidente recém - empossada, faz parte de uma chapa de oposição de esquerda, o coletivo Travessia, onde a maioria dos alunos é negra ou parda e estudou em escola pública.

Para Érica Meireles, da Executiva Nacional da ABJD, que esteve na cerimônia, a vitória deste grupo ilustra um passo que a Faculdade dá no contexto político resultante das cotas raciais que passaram a valer no vestibular em 2018, ano em que Letícia entrou na USP. A universidade pública de São Paulo foi a última a adotar o sistema.


"Em uma conjuntura de tamanho ataque a tudo que defendemos, felizmente no Centro Acadêmico XI de Agosto, entidade de atuação histórica pelas lutas democráticas, assume um coletivo comprometido e representativo da população mais vulnerabilizada e suas demandas. Finalmente filhos e filhas de trabalhadores/as chegam a esse espaço", comemora.

O primeiro negro a presidir a entidade foi Oscarlino Marçal, em 1963. Mas até hoje o XI de Agosto nunca tinha tido uma presidente negra. Em seu segundo ano na faculdade, Letícia quebrou a barreira racial e de gênero e se elegeu.

Ao tomar posse, Letícia ressaltou a importância da presença dos funcionários da casa. Sem desmerecer os professores, fez questão de dizer que seus pais são mais parecidos com os empregados que trabalham no Largo São Francisco do que com o corpo docente da casa. Iniciou dizendo que sua gestão é uma “reintegração de posse contra as pessoas que foram embranquecidas na universidade”.



Com informações do Migalhas