ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

Bolsonaro tem medo de Cristina Kirchner



Publicado no GGN

Quando as pesquisas começaram a apontar para o favoritismo da dupla Alberto Fernandez/Cristina Kirchner nas eleições presidenciais argentinas, Jair Bolsonaro partiu para o ataque: se utilizando dos mesmos expedientes da campanha eleitoral brasileira do ano passado, invocou a possibilidade da “Argentina virar uma Venezuela”. Como se não bastasse, chamou os candidatos de “bandidos de esquerda”. Pelo visto, as agressões não surtiram efeito, e só serviram para fortalecer a chapa peronista.

Dizem que o medo e o ódio tem a mesma origem. No caso em análise, não é preciso ser psicanalista para perceber algo tão claro. Cristina reúne todos os atributos que Bolsonaro mais teme.

Em primeiro lugar, ela é mulher, e o capitão já deu mostras de possuir um pânico que beira o irracional em relação ao sexo feminino. Seus objetos de admiração e amor são homens, geralmente autoritários e armados. Ele apenas aceita (suporta) a mulher em uma condição de submissão. Seus embates na vida política com Maria do Rosário e Dilma Rousseff demonstram claramente o nível da fobia, chegando ao limite de exaltar a figura de um torturador como o Coronel Ustra, que não hesitava em agredir mulheres sem a menor possibilidade de defesa.

Cristina Kirchner, a primeira mulher eleita presidente pelo voto direto na Argentina, não se colocava em uma posição de subalternidade em relação ao marido Nestor. Os dois se conheceram durante a graduação na faculdade de Direito, e construíram a vida profissional e política em parceria. Em 1985 foi eleita deputada estadual; de 1995 a 2001 foi reeleita deputada federal e senadora. Estamos falando de uma advogada e política com luz e caraterísticas próprias.

Mas não é só isso. Para “piorar” a situação, Cristina é peronista! Sim, ela faz parte de um movimento político, que apesar de suas contradições internas, tem uma tradição histórica, retomada com Nestor a partir de 2003, de lutar pela soberania nacional e melhora das condições de vida dos trabalhadores. Ao contrário do entreguismo bolsonarista, o kirchnerismo/peronismo não teve medo de enfrentar os interesses estadunidenses ao se posicionar contra a ALCA. Também promoveu um resgate da memória argentina sobre os crimes praticados durante a ditadura naquele país (1976-1983). Quem não se lembra de Nestor ordenando “bajar los cuadros” dos ditadores Rafael Videla e Reynaldo Bignone, na escola militar?

Para completar esse cenário “tenebroso” para a extrema direita brasileira, Cristina promulgou a lei de democratização dos meios, enfrentando o monopólio do Clarín (a Globo argentina), e no seu mandato foi aprovada a lei do matrimônio igualitário. Também se posicionou pela descriminalização do aborto.

Não custa lembrar que estamos falando da candidata à vice-presidência; mesmo assim Bolsonaro não consegue disfarçar sua paúra.

Mas eu entendo o capitão. Não deve ser fácil engolir uma mulher independente, articulada e popular colocando toda a sua energia no combate a um neoliberalismo tardio que devastou a economia do nosso vizinho e era visto pelos formadores de opinião da grande mídia como um modelo a ser seguido no Brasil.

É para ter medo mesmo, já que temos milhares de “Cristinas”, construindo a resistência a um sistema econômico autoritário e ultrapassado, que assim como na Argentina, já está caindo de podre.

Rafael Molina Vita
Formado em Direito, membro do coletivo estadual de Direitos Humanos do PT/SP e da ABJD.