ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

Marcha das Margaridas: Flores da resistência





“Terra sadia pra lucrar

Canja na mesa no jantar

Um mínimo para se ter 

Direito à paz e ao prazer”

Margarida é uma flor muito popular, sempre bem-vinda em qualquer jardim. Maria Margarida Alves foi uma sindicalista, assassinada em 1983, aos 40 anos de idade, por enfrentar barões do açúcar em Alagoas.

A cada quatro anos, desde o ano 2000, mulheres vindas do país inteiro marcham vários quilômetros em Brasília, em honra da memória de Margarida Alves e para apresentar sua pauta de reivindicações por mais direitos e pela manutenção daqueles que já possuem.


O ato faz parte da agenda permanente do movimento sindical de trabalhadoras rurais e de movimentos feministas do Brasil. Elas são principalmente do campo. São sem-terra, agricultoras familiares, acampadas, assentadas, assalariadas, trabalhadoras rurais, artesãs, extrativistas, quebradeiras de coco, seringueiras, pescadoras, ribeirinhas, quilombolas, indígenas. Em todas as cinco versões anteriores, a organização da Marcha das Margaridas entregou ao respectivo governo federal sua pauta.

Nesta quarta-feira (14), às 7h, cerca de cem mil mulheres do campo e da cidade saíram do Pavilhão do Parque da Cidade, onde estavam acampadas, em direção à Esplanada dos Ministérios. Mas não houve encontro com o governo. Quebrando a tradição, em sua sexta edição, a marcha assume caráter de contestação e não de negociação.

Simbolicamente, margarida tornou-se a flor que personifica a resistência ao que é ofertado pelo governo Bolsonaro, ao avanço histórico do desmatamento na Amazônia - que aumentou 67% neste ano pelos dados oficiais do Inpe - à liberação desenfreada do registro de agrotóxicos, e ao aumento da violência, com as propostas de armamento.

Mesmo sem aviso e sem convites, dezenas de parlamentares estiveram no ato de encerramento da marcha.

Participar das discussões e do caminhar com essas mulheres é ter a oportunidade de testemunhar a grandeza de sua luta, que implica dias na estrada, vindas de lugares distantes, com muita disposição para criar fronteiras contra as políticas destrutivas e obscurantistas de um governo boçal e inconsequente, de um presidente sexista, para quem qualquer protagonismo feminino seria um problema. Uma luta central no nosso país, sobretudo na atual conjuntura, notadamente triste, de fanatismo e bizarrices, de superficialidades em várias dimensões, em que se busca roubar qualquer esperança de futuro.

Diz-se que sementes de hoje são flores do porvir. Digo eu que margaridas nos ensinam que a realidade que é vivida aqui e agora, mesmo que se trate de experiência dolorosa, nos apresenta o futuro que podemos imaginar. Nos mostram, com sua garra e disposição, que somos capazes de refundar nossa democracia e reinventar nossa política.

Plantar no hoje, colher adiante.




Brasil de Fato
Edição: Daniela Stefano