ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

"STF tolerou muitos abusos da Lava Jato", diz jurista da ABJD

21/03/2017- Brasília- DF, Brasil- Ministro Edson Fachin durante sessão da 2ª turma do STF.
Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF


"Aha uhu o Fachin é nosso", vibrou o procurador da Operação Lava Jato Deltan Dallagnol em conversa com colegas do Ministério Público Federal. A comemoração de Deltan foi feita logo após um encontro com o ministro Edson Fachin do STF (Supremo Tribunal Federal), em 13 de julho de 2015. O diálogo faz parte do material analisado pela revista Veja em parceria com o site The Intercept Brasil e publicado no dia 05/07.

Já no dia 08/07, o ministro Fachin, que é relator da Lava Jato no STF, afirmou que juízes também cometem atos ilícitos e que nesses casos, os magistrados devem ser punidos. O comentário é interpretado como indireta ao ex-juiz e ministro da Justiça, Sérgio Moro.

Em entrevista ao Jornal Brasil Atual, Sérgio Graziano, advogado, pós-doutor em direito e membro da ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia), avalia que a fala de Fachin é característica de alguém que foi atingido de alguma forma e não gostou. "Mas o STF foi muito leniente e tolerou muitos abusos da Lava Jato e agora não só o Fachin, como o Fux, foram atingidos. Isto demonstra a fragilidade democrática do momento que vivemos", acredita. 

Após um mês da divulgação do grave escândalo conhecido como #VazaJato, nenhuma providência no campo judiciário foi efetivada no sentido de investigar a promiscuidade entre o ex-juiz e ministro da Justiça Sergio Moro e os procuradores da Lava Jato. "Tem que se investigar qual a influência disso tudo nas definições dos processos judiciais até agora. Se houvesse algum interesse do estado, já teria sido aberto o sigilo dos envolvidos ha muito tempo", ressalta.

Finalizando, Graziano lembrou que as decisões judiciais serão cada vez mais politizadas, a partir de cálculos de custo e benefício, como, por exemplo, com relação à prisão do ex-presidente Lula. "Se estivéssemos em um momento político democrático, Lula estaria solto há muito tempo. Mas vulgarizar a lei e decidir contrária a ela já vem sendo feito, então não haverá uma mudança radical enquanto o custo político de se manter o Lula preso for favorável aos políticos que comandam o país", decretou.