ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

Sergio Moro na Câmara dos Deputados foi “um balão vazio cheio de nada”

Foto:Lula Marques

A esperada ida do ex-juiz Sérgio Moro à Câmara dos Deputados, para esclarecer as denúncias e suspeitas reveladas nos diálogos com procuradores da força-tarefa da operação Lava Jato, divulgados pelo portal The Intercept Brasil e outros meios de comunicação, foi marcada, por um lado, pelas intervenções bajuladoras dos membros da bancada do governo e, por outro, pelas evasivas e repetitivas respostas dadas pelo ministro aos parlamentares de oposição, sobre as conversas e o nível de comprometimento que seus conteúdos encerram.

A mesquinhez de parlamentares que se recusam à necessidade do debate, sem contestar argumentos, como se não interessassem, em um alinhamento medíocre, parecem ignorar a possibilidade do rumo das coisas, ou ser conivente com elas. 

A notícia, no meio da reunião, de que a Policia Federal está investigando o jornalista Glenn Greenwald, deveria merecer o espanto e o repúdio de todas e todos, por ser um dos sinais que apontam para uma ruptura em favor de uma ofensiva geral de natureza repressiva e violadora de direitos. 

Mas, ao oposto, a hipótese tem torcida e aplausos de membros eleitos do parlamento brasileiro, sobre quem a ameaça também paira. Algo como uma ditadura que pode se instalar “a frio”, com amplo apoio popular e apresentada como necessidade premente para o combate à corrupção e a salvaguarda da “ordem”.

Ao longo de quase 8 horas de reunião, Moro mostrou-se irônico e repetiu à exaustão seu jargão: “não reconheço, posso ter dito, mas não lembro, mas se disse não tem a menor relevância”. Tentou se apoiar na tese de que juristas concordam com ele sobre a ausência de gravidade dos conteúdos, embora tenha citado apenas um texto no Brasil, de autoria do ex-ministro do STF Carlos Velloso, cujo filho, não por coincidência, concorre à vaga no TSE na lista tríplice, a ser decidida pelo presidente Jair Bolsonaro, com parecer do Ministério da Justiça. O tema foi levantado pelo deputado Carlos Zarattini e deixou o ex-juiz aborrecido.

Ignorou as centenas de vozes do meio jurídico que criticam e condenam sua parcial atuação, o que inclui diversas entidades como a OAB, a AJD, a ABJD, IBCCRIM, ABRACrim, além de inúmeros artigos de professores de Direito das mais diversas universidades do país, advogados e juristas de diversas categorias. Sustentou, apesar de todas as evidências em contrário, a licitude de diálogos tidos e publicizados, utilizando os dados financeiros e de presos da operação Lava Jato para valorar a atuação do conjunto de seus membros.

Ao final, irritado com a fala dura do deputado Glauber Braga (PSOL/RJ) que o chamou de juiz ladrão, foi embora por uma porta secreta da CCJ.

Definir em uma frase a ida de Sérgio Moro, o ex-juiz, à Câmara dos Deputados, a partir de suas explicações à sociedade exigira roubar dele mesmo: “um balão vazio cheio de nada”.

Tania Maria de Oliveira
Coordenação Executiva da ABJD