ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

Moro atuava contra Lula e não contra corrupção


Foto Lula Marques

O povo brasileiro não aceita corrupção na política. Atentos a isso, os comandantes da Operação Lava Jato se aliaram à mídia para popularizar suas ações. Se aproveitaram de estratégias e instituições criadas nos últimos anos para combater a corrupção na política. É preciso reconhecer os avanços, mas, mesmo com um longo caminho a percorrer, vale lembrar que o período de maior investimento no combate à corrupção foram nos governos de Lula e Dilma.

Os presidentes do Partido dos Trabalhadores criaram a Controladoria-Geral da União (2003), um sistema de fiscalização das ações governamentais; o Portal da Transparência (2004), com informações sobre gastos, investimentos e remuneração dos agentes públicos; a Lei de Acesso à Informação (2011), “abrindo” as informações do Estado para a população; a nova Lei de Prevenção à Lavagem de Dinheiro (2012), a Lei Anticorrupção (2013) e a Lei de Combate às Organizações Criminosas (2013).

Com Lula e Dilma houve a estruturação da Polícia Federal e maior autonomia do Ministério Público, as mesmas instituições que, ironicamente, perseguiram Lula e o PT. Em 1998 havia 6.357 policiais federais. Em 2008, eram 10.487 agentes federais. Nos governos petistas, o Procurador Geral da República, chefe do Ministério Público, era escolhido pelos próprios procuradores. Temer indicou a pessoa de sua preferência: Raquel Dodge. Bolsonaro já disse que fará o mesmo. A partir dos anseios do povo brasileiro, os governos Lula e Dilma fortaleceram o combate à corrupção.

Porém, a criatura perseguiu o criador. Agentes públicos utilizaram instrumentos de combate à corrupção para interesses pessoais e políticos. O maior exemplo disso é a Operação Lava Jato. As reportagens do The Intercept Brasil revelam o que muitos sabiam, Sergio Moro direcionou as ações de delegados e procuradores da Lava Jato, e impediu que Lula fosse candidato, impulsionando a vitória de Bolsonaro. Moro era como o juiz de futebol que ajuda um dos times. As armas criadas por Lula foram usadas contra ele.

Lula foi o presidente mais popular e prestigiado internacionalmente. Para Moro, Lula teria trocado sua história por um apartamento. Agora as mentiras são reveladas.


Cláudio Silva
*Advogado, membro da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia