ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

Em nota, ABJD diz que Portaria 666 de Moro tem desvio de finalidade e promove intimidação



O ministro da Justiça Sérgio Moro publicou hoje a Portaria 666/2019, com previsão de deportação sumária de cidadãos estrangeiros, com prazo de apenas 48 horas para defesa, inclusive com prisão, caso seja necessário.

O ato acontece logo após a Polícia Federal prender quatro pessoas acusadas de serem "hackers" que teriam invadido celulares de autoridades e, oportunamente, no momento político em que o Brasil acompanha o escândalo da #VazaJato, onde o ex-juiz e procuradores aparecem trocando mensagens que revelam o conluio entre integrantes da Lava Jato. 

"A Constituição brasileira garante aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade dos mesmos direitos fundamentais dispostos no caput de seu art. 5º: à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. As limitações a esses direitos não podem nos remeter de volta a tempos sombrios de nossa história. É desse modo que a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD aponta a Portaria nº 666/2019, do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, como ato administrativo eivado de caráter desviante de finalidade e impessoalidade, utilizado para promover intimidação".

Leia a íntegra da nota abaixo:


PORTARIA 666: A DEMOCRACIA NÃO ADMITE INTIMIDAÇÕES 

Em meio às divulgações feitas pelo portal The Intercept Brasil, pelo jornal Folha de S. Paulo, pela rádio Band News e pela revista Veja, que há mais de 45 dias mostram o conluio que estabelecia com os membros da força-tarefa da operação Lava Jato, tendo prendido quatro pessoas acusadas de serem “hackers”, e telefonado a todas as autoridades dos poderes, falando em destruir as provas, mesmo sem ter autoridade judicial para tanto, o ministro da Justiça Sérgio Moro publicou hoje a Portaria 666/2019, com previsão de deportação sumária de cidadãos estrangeiros, com prazo de apenas 48 horas para defesa, inclusive com prisão, caso seja necessário.


A portaria fala em “suspeitos”, o que significa que não há necessidade sequer de uma acusação formal, e muito menos uma condenação. Basta que haja uma investigação em curso, fora do Brasil inclusive, ou que existam “informações de inteligência, provenientes de autoridade brasileira ou estrangeira”.


Em 2017, quando o Brasil aprovou sua nova Lei de Migração, o debate foi feito justamente no sentido de garantir direitos e proteger os estrangeiros contra discriminação. A Lei 13.445/2017 veio substituir o Estatuto do Estrangeiro, que era herdado do regime militar, tendo a nova norma como princípios a igualdade de direitos e o combate à xenofobia e à discriminação. Um dos seus grandes valores é o direito à defesa e à segurança jurídica, tendo em vista que as legislações precedentes autorizavam a retirada compulsória do país, caso o estrangeiro fosse considerado nocivo, inconveniente ou se ofendesse a tranquilidade e a moralidade.


Os questionamentos de cunho jurídico sobre a Portaria 666/2019 podem ser de variadas ordens. Contudo, o que nos causa espanto é o senso de oportunidade do senhor ministro da Justiça, de editar um documento com esse conteúdo, no exato momento político em que o debate que ocorre no Brasil relaciona-se com sua total animosidade em relação a um jornalista em específico, que mora e trabalha no Brasil. Demonstra com isso o senhor ministro Sérgio Moro, sem sombra de qualquer dúvida, o uso do cargo público para prática de atos com desvio de finalidade, aumentando o clima de perseguição à atividade jornalística, de liberdade de expressão e de imprensa.


A Constituição brasileira garante aos estrangeiros residentes no país a inviolabilidade dos mesmos direitos fundamentais dispostos no caput de seu art. 5º: à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade. As limitações a esses direitos não podem nos remeter de volta a tempos sombrios de nossa história.


É desse modo que a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia – ABJD aponta a Portaria nº 666/2019, do Ministério da Justiça e da Segurança Pública, como ato administrativo eivado de caráter desviante de finalidade e impessoalidade, utilizado para promover intimidação.


Em virtude disso, pugnamos para que o Congresso Nacional, dentro de suas prerrogativas legais, possa rever o ato, ou o Poder Judiciário, sendo provocado, considere-o nulo.