ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

II Seminário Internacional da ABJD: desafios e caminhos para a democracia



Tânia Oliveira – Coordenação Executiva da ABJD
Foto: Matheus Alves



“Não serei o cantor de uma mulher, de uma história, 

não direi os suspiros ao anoitecer, a paisagem vista pela janela, 

não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicidas,
não fugirei para as ilhas nem serei raptado por serafins. 

O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes, a vida presente. 

(Fragmento de “Mãos dadas” – Carlos Drummond de Andrade) 



Surgida nos debates sobre o golpe parlamentar de 2016, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia (ABJD) realizou nos dias 23, 24 e 25 de maio seu II Seminário Internacional, na Faculdade de Direito da Universidade de Brasília – UnB.

Após o I Seminário em maio do ano passado, na cidade do Rio de Janeiro, houve uma difícil eleição nacional, pautada por mentiras espalhadas pelas redes sociais e pela ausência de debate democrático propositivo, que levou ao poder um Congresso Nacional ainda mais retrógrado que o anterior e um presidente da República que defende valores racistas, machistas, homofóbicos e antidemocráticos.

Um ano em que o Poder Judiciário e o sistema de justiça se mostraram cada vez mais covardes e acovardados, ligados aos interesses das minorias, e sem reações efetivas aos ataques perpetrados contra a Constituição Federal, contra a educação, os direitos sociais e trabalhistas e na criminalização dos movimentos sociais e das camadas vulneráveis da sociedade.

As mesas dos debates ocorridos no Seminário foram ousadas nos temas. Pretenderam discutir a gênese da conjuntura, pensando os pressupostos e causas sociais do que nos conduziu até aqui, a crise econômica no Brasil e no mundo, que se alimenta da precariedade das relações de trabalho e do aprofundamento da desigualdade social; as reformas neoliberais, a relativização de direitos de cidadania como forma de lidar com conflitos, o acirramento das inúmeras violações dos direitos humanos e à vida, o discurso oficial de estímulo ao ódio e ao preconceito contra pobres e vulneráveis, a proposta de uma polícia com autorização para matar. Tudo isso aliado à ruptura da relação entre governantes e governados, a desconfiança nas instituições e a não legitimidade da representação política, um verdadeiro colapso gradual de um modelo político de representação: a democracia liberal.

Em um momento no Brasil em que os conteúdos estão esvaziados e falta substância às palavras, as discussões feitas a partir das exposições de professores e pesquisadores nos trouxeram diversos elementos para pensar o país e o mundo, e significaram um acúmulo para o fortalecimento de nossas lutas.

As entidades parceiras que compuseram a mesa final do II Seminário Internacional demonstraram cabalmente o que já sabíamos: a luta só é possível com a companhia de outros braços!

Reafirmamos em coletivo o que o poeta Drummond pontua com a sua consciência da existência de outros homens, e do espírito coletivo necessário para enfrentar os usurpadores da democracia. Desejar e produzir a mudança passa, obrigatoriamente, pela descoberta de caminhos de resistência e de ferramentas para forjar futuro.

Tânia Oliveira
  Coordenação Executiva da ABJD