ABJD denuncia Bolsonaro por crime contra a humanidade no Tribunal Penal Internacional

Presidente estimula o contágio e coloca a vida de milhares de pessoas em risco na pandemia A ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) protocolou nesta quinta-feira, (2/4) uma representação (Leia a íntegra em português e inglês) no TPI (Tribunal Penal Internacional) contra o presidente da República, Jair Bolsonaro, pela prática de crime contra a humanidade que vitima a população brasileira diante da pandemia de coronavírus.

Acesse o texto de divulgação em inglês e espanhol.
De acordo com a entidade, o Brasil possui, no atual momento, um chefe de governo e de Estado cujas atitudes são total e absolutamente irresponsáveis. Por isso, solicitam ao TPI que instaure procedimento para averiguar a conduta do presidente e condene Bolsonaro pelo crime contra a humanidade por expor a vida de cidadãos brasileiros, com ações concretas que estimulam o contágio e a proliferação do vírus, aplicando a pena cabível.

“Por ação ou omissão, Bolsonaro coloca a vida da população em risco, come…

É preciso se organizar para evitar que o estado de exceção vença a democracia

I Encontro Nordeste da ABJD consolida associação na região e fortalece os núcleos estaduais

Por Daniele Stefano



A organização dos juristas é fundamental para evitar que o estado de exceção vença a democracia. Esta foi uma das conclusões do I Encontro Nordeste da Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, que ocorreu em 5 e 6 de abril em Fortaleza, no Ceará. O evento consolidou a associação na região e fortaleceu seus núcleos estaduais.

Durante os dois dias, cerca de 400 pessoas estiveram no evento. Na Carta de Fortaleza, documento final do Encontro, os participantes reafirmaram seus princípios e renovaram a solidariedade com o povo brasileiro na luta contra os retrocessos, entendendo que a organização dos juristas é fundamental para evitar que o estado de exceção vença a democracia.

Durante o encontro, além da análise de conjuntura da política nacional, foram discutidas as recorrentes ações do sistema jurídico-político para criminalizar cidadãos, cidadãs e movimentos sociais a partir da enviesada aplicação das leis penais vigentes. Também foram debatidas as recentes propostas de mudança na legislação penal do governo fascista, em especial os Projetos de Lei 881/2019 e 882/2019, denominados leis anticrime.

Fortalecer a organização para a democracia vencer

A lei antiterrorismo não é aplicada porque não há terroristas, na opinião de Marcelo Semer. Ele foi um dos debatedores da mesa que tratou da Criminalização dos Movimentos Sociais. Segundo o jurista da ABJD, os Projetos de Lei anticrime tem como objetivo ampliar o conceito de terrorista para enquadrar neste crime as situações de luta popular.

Já a participação de Carlinhos Marighella, que narrou o sofrimento de sua família, reforçou a importância da organização para que os crimes cometidos no passado não se repitam no atual período. O filho de Marighella emocionou a plateia ao contar que quando criança foi obrigado a frequentar a escola indocumentado; e que mesmo familiares que não militavam em nenhuma organização de esquerda eram perseguidos por terem o mesmo sobrenome que seu pai.

Vindos de todos os estados do Nordeste, os participantes fazem parte dos núcleos estaduais da ABJD e são acadêmicos, magistrados, integrantes da Defensoria e Ministério Públicos, advogados públicos e privados e estudantes de direito.