ABJD lança campanha #MoroMente para explicar os crimes cometidos pelo ex-juiz na Lava Jato

Ato será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP 
Preocupada com o discurso de Sergio Moro de relativização da legalidade e de normalização de desvios, a ABJD (Associação Brasileira de Juristas pela Democracia) lança nesta quinta-feira (01/08) a campanha #MoroMente para mostrar à população quais foram as violações de direitos cometidas pelo ex-juiz, e apontar as mentiras que ele conta para justificar sua atuação criminosa durante a Lava Jato.

A ação contará com a participação de juristas que irão explicar como os envolvidos na operação Lava Jato atropelaram leis e corromperam a Constituição.

Nesta abertura, o juiz de Direito da Vara de Execuções Penais do Amazonas, Luís Carlos Valois, esclarece porque Moro está mentindo quando diz que é normal o contato regular e de tanta influência com representantes do Ministério Público (MP) no curso de um processo. Assista.

Um ato público será realizado no dia 19 de agosto na Faculdade de Direito da USP, no Largo do São Fra…

A DEFESA DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL É A DEFESA DA DEMOCRACIA



O sistema instituído no Brasil com a Constituição Federal de 1988 vem sofrendo sistemáticos ataques, culminando com a eleição de
dirigentes manifestamente descompromissados com a efetividade da Carta, e de suas garantias fundamentais, que atuam para desestruturar desde a proteção da seguridade social à democratização das avaliações das políticas públicas do Estado, como a participação nos conselhos.
A pavimentação desse caminho passou pelo artifício do impeachment da Presidenta eleita Dilma Rousseff e a instrumentalização da operação Lava Jato. Essa operação, nascida para ser uma importante investigação de combate à corrupção que assola o Estado brasileiro desde os primórdios, logo cedo mostrou dois grandes problemas que maculariam e comprometeriam em definitivo sua atuação. A primeira é de não se configurar uma ação para investigar fatos, mas pessoas previamente escolhidas, vinculadas a determinada posição política. A segunda é que, para conseguir seu intento, os membros da força tarefa se mostraram dispostos a sacrificar todos os direitos de defesa conquistados pela sociedade, bem como a atropelar e descumprir as normas de processo penal.
Em cinco anos a operação Lava Jato cometeu diversos abusos, desrespeitando normas e perseguindo pessoas, sem nenhuma lealdade à Constituição e às suas garantias e, nessa trilha persecutória, encontrou ressonância inclusive na cúpula do Poder Judiciário. As raras vozes que se insurgiram internamente não foram bastantes para frear o rompimento com os preceitos constitucionais, flagrantes e diuturnamente denunciados por atores políticos e jurídicos, de pessoas e instituições, entidades da sociedade civil organizada, entre as quais nos incluímos.
No desenrolar da história recente do país, é fato que o Supremo Tribunal Federal consolidou procedimentos que o distanciaram da guarda da Constituição Federal, sua missão precípua, com especial destaque à inobservância da presunção de inocência.
Nada obstante, no momento atual em que a Corte esboça reagir e apurar ilegalidades cometidas no âmbito da operação Lava Jato e que, segundo já foi divulgado, pode envolver graves desvios de conduta de agentes públicos, ministros daquela Casa passam a ser atacados, com uso dos instrumentos mais evidentes nos novos tempos: as ameaças via redes sociais.
Nesse ambiente de conturbação e novos ataques à ordem democrática, de bom alvitre assentar que a ABJD não coaduna com censura à imprensa, qualquer que seja ela. Desse modo, repudia a decisão do ministro Alexandre de Moraes contra a revista Crusoé e o blog O Antagonista na mesma medida da absurda condução coercitiva do blogueiro Eduardo Guimarães determinada então pelo juiz Sérgio Moro em 2107 e, em caso mais recente, a negação da entrevista do ex-presidente Lula em 2018. No Estado democrático de direito não há, nem pode haver, escolha de quem é detentor dos direitos fundamentais. Esse é o caminho do Estado de exceção.
Nessa linha, o momento político exige de nós a capacidade de enxergar para além do ataque a juízes da Suprema Corte, situando-o na continuidade da desestruturação que já ocorre no âmbito do próprio Poder Executivo. De fato, o episódio da censura – que já fora revisto - está apenas servindo de mote para justificar a pressão para que o Supremo Tribunal Federal deixe de investigar os possíveis crimes cometidos por agentes públicos no âmbito do inquérito em andamento.
Nesse ambiente, a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia identifica que os ataques aos membros da Suprema Corte proferidos nos últimos dias não são legítimos nem possuem fundamentos precisos, mas ao oposto, situam-se no campo do autoritarismo e na busca de alternativas não democráticas, o que nos impele a conclamar a sociedade à defesa intransigente da democracia e da instituição Supremo Tribunal Federal.