Com armas e sem proteção

Segundo o instituto Datafolha, em dezembro, 61% eram contra a posse de armas, em outubro eram 55%. O decreto contraria a opinião da maioria da população.
por Gabriel Sampaio*
No último dia 15 de janeiro de 2019 foi publicado o Decreto nº9.685, de 2019 que alterou a regulamentação do Estatuto do Desarmamento (ED). Segundo o texto, passam a ter automaticamente "efetiva necessidade" para adquirir uma arma, além de militares e agentes de segurança pública - sistema penitenciário, socioeducativo, inclusive -, colecionadores, atiradores e caçadores, habitantes de zonas rurais e donos de comércio ou de indústrias, bem como, qualquer habitante de cidades em unidades federativas com mais de 10 homicídios por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2018.

Também foi estabelecida a necessidade de declaração do postulante à aquisição da arma que mora em residência também habitada por criança, adolescente ou pessoa com deficiência mental, de que a sua residência possui cofre ou l…

Nota pública sobre a agressão ao advogado e candidato à deputado estadual Renato Freitas

Violação de direitos humanos e afronta ao Estado de Direito



A ABJD – Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia, núcleo Paraná, vem publicamente manifestar seu apoio ao militante de direitos humanos, advogado e candidato a deputado estadual Renato Freitas, tendo em vista às graves agressões por ele sofridas no último domingo (09/09).
Renato Freitas estava realizando uma atividade de campanha numa praça pública de Curitiba, quando foi violentamente abordado e injustificadamente baleado pela Guarda Municipal de Curitiba. Foram três tiros de bala de borracha, sendo um na mão e dois nas costas.

Ferido, sangrando e com dores, o militante foi levado de camburão a um hospital e, por mais de duas horas, enquanto aguardava a avaliação dos exames médicos realizados, seus advogados foram impedidos de terem acesso a ele.Na sequência, o candidato foi levado à uma delegacia de polícia, onde foi indiciado pelas autoridades policiais pelos “crimes” de desacato, desobediência e resistência.

É a segunda vez que Renato Freitas foi agredido e preso pela Guarda Municipal de Curitiba. A primeira prisão, ocorrida em 2016, ocorreu no exercício da sua atividade profissional, tendo a ação penal sido arquivada. O advogado, face à agressão sofrida, denunciou administrativamente os guardas envolvidos.

Coincidentemente, na semana que antecedeu a segunda prisão, o militante de direitos humanos foi ouvido no procedimento de sindicância, quando denunciou a atuação ilegal dos guardas envolvidos. 

A prisão e as agressões sofridas por Renato Freitas consistem em graves violações de direitos humanos, de modo que a atuação opressora da Guarda Municipal é incompatível com o Estado Democrático de Direito, assim como são inadmissíveis as violações das prerrogativas profissionais dos seus advogados.

Pela presente nota pública, portanto, a Associação Brasileira dos Juristas pela Democracia, núcleo Paraná, denuncia os graves fatos ocorridos, assim como declara seu apoio ao advogado e militante Renato Freitas, bem como à sua luta em prol da dignidade da população negra e dos jovens periféricos. Vozes que não podem ser caladas. Exigimos apuração imediata pelo Poder Público Municipal quanto aos abusos ocorridos. 

Curitiba, 11 de setembro de 2018.