Com armas e sem proteção

Segundo o instituto Datafolha, em dezembro, 61% eram contra a posse de armas, em outubro eram 55%. O decreto contraria a opinião da maioria da população.
por Gabriel Sampaio*
No último dia 15 de janeiro de 2019 foi publicado o Decreto nº9.685, de 2019 que alterou a regulamentação do Estatuto do Desarmamento (ED). Segundo o texto, passam a ter automaticamente "efetiva necessidade" para adquirir uma arma, além de militares e agentes de segurança pública - sistema penitenciário, socioeducativo, inclusive -, colecionadores, atiradores e caçadores, habitantes de zonas rurais e donos de comércio ou de indústrias, bem como, qualquer habitante de cidades em unidades federativas com mais de 10 homicídios por 100 mil habitantes, segundo o Atlas da Violência 2018.

Também foi estabelecida a necessidade de declaração do postulante à aquisição da arma que mora em residência também habitada por criança, adolescente ou pessoa com deficiência mental, de que a sua residência possui cofre ou l…

ABJD repudia expulsão dos venezuelanos em Roraima


A ABJD vem a público manifestar repúdio aos eventos ocorridos com os refugiados venezuelanos no estado de Roraima, expulsos  com suas famílias após seus pertences terem sido queimados em praça pública no município de Pacaraíma.

Esta atitude de extrema desumanidade afronta a Constituição Federal em seu artigo 5º, que expressamente dispõe que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade.

De igual modo, a violência sofrida pelos venezuelanos fere os princípios estabelecidos na lei 13.445 de 2017 (lei de migração), que em seu art. 3º determina que “a política migratória brasileira rege-se pelos seguintes princípios e diretrizes, dentre outros, o repúdio e prevenção à xenofobia, ao racismo e a quaisquer formas de discriminação; a não criminalização da migração; a acolhida humanitária; a igualdade de tratamento e de oportunidade ao migrante e a seus familiares; a inclusão social, laboral e produtiva do migrante por meio de políticas públicas; a acesso igualitário e livre do migrante a serviços, programas e benefícios sociais, bens públicos, educação, assistência jurídica integral pública, trabalho, moradia, serviço bancário e seguridade social; a fortalecimento da integração econômica, política, social e cultural dos povos da américa latina, mediante constituição de espaços de cidadania e de livre circulação de pessoas; a proteção integral e atenção ao superior interesse da criança e do adolescente migrante; e o repúdio a práticas de expulsão ou de deportação coletivas”.

Importante consignar que a imensa maioria dos refugiados são famílias em condições e em posição de extrema vulnerabilidade e fragilidade.

Os valores democráticos devem ser exaltados em nossa sociedade, que apenas aprimorará suas relações a partir do reconhecimento e da admissão das diferenças. A multiculturalidade sempre foi motivo de orgulho da sociedade brasileira, umbilicalmente construída com a gene de povos de todo o mundo.

O lamentável episódio deve servir como  alimento à luta pelo restabelecimento da democracia e pela soberania nacional. Soberania de um país que era, em período recente, referência no cenário internacional, por suas inúmeras políticas, sobretudo de inclusão social, nas quais  as diferenças serviam para o fortalecimento das relações interpessoais e da valorização das comunidades, independentemente de suas origens ou de suas referências culturais.

Em um momento de constantes tensões sociais e da vociferação de discursos de ódio e de exclusão no nosso país, necessário que se busquem soluções pacificadoras e justas. Não há justiça quando pessoas não têm onde morar e não têm o que comer, independentemente de sua nacionalidade.  Não existe paz sem que haja justiça!